s t e p h e n   k i n g
[an error occurred while processing this directive] pessoas já visitaram esta sub-secção :)
A página foi actualizada pela última vez em 17/07/2008.




   Stephen King nasceu em Portland, Maine, em 1947. Ganhou uma bolsa de estudo para a Universidade do Maine, onde leccionou Inglês.

   Foi a publicação do seu primeiro livro Carrie e a subsequente adaptação cinematográfica que o colocou na actual posição de provavelmente um dos escritores mais bem sucedidos em todo o mundo.

   Carrie foi seguido por uma série de best-sellers, incluindo The Shining, Misery, Firestarter, The Dead Zone e Cujo.

   Actualmente vive com a sua mulher, a também escritora Tabitha King e os seus três filhos em Bangor, Maine, o seu estado de origem e o sítio onde ele se sente verdadeiramente em casa.




Esta é a pequena secção no final ou no início de alguns dos seus livros. Um ínfima parte da vida de King está resumida numa meia-dúzia de linhas, e a última frase define certamente o estado de espírito do autor. Obviamente a tradução para Português (feita por mim) retira algum do encanto da frase, mas é realmente assim que ele se sente.
Comecei a ler Stephen King há alguns anos, e foi de facto um dos primeiros livros que li em inglês. Na altura andava ainda a ter aulas no Instituto (não para melhorar as notas na escola, mas para de facto saber Inglês...) e ajudava bastante começar a ler um livro na língua que estava a tentar assimilar. E fiquei parvo.
Tenho uma mania tipicamente lusitana (como já está mencionado na minha descrição) de ler no WC. Quando a maior parte das pessoas refere que "vai mandar uma carta", eu prefiro anunciar que "vou ler uma carta"...foi nesse meio que li a maior parte dos meus livros. Aí, e no autocarro, até mesmo aquele ponto onde começo a ficar enjoado por causa das curvas...quem nunca andou nos autocarros dos STCP não sabe o que perde...
Anyway, prefiro ler em inglês. Porque raio hei-de ler um livro que provavelmente estará traduzido para a minha língua-natal de uma maneira degradante (quer para o autor quer para o leitor), com falhas imperdoáveis semelhantes às traduções cinematográficas, quando posso ler a versão original, saborear as intenções do autor, perceber o que ele quer mesmo dizer, entender as conotações, as piadas, as pequenas insinuações literárias que nos estão a ser transmitidas...no fundo, LER O LIVRO!!! Já reparei que em alguns livros, nomeadamente de King, "Shit!" está traduzido para "Raios!", e "Fuck'em" foi convertido em "Que se lixem"...isto não é uma tradução "à letra", senhores!!! Alguém imagina um assassino condenado que antes disso era carpinteiro a dizer "Raios" em vez de...bem, perceberam, certo? Há que enquadrar a tradução não para o público-alvo, mas dentro do contexto da frase escrita pelo próprio autor! Bah...
Mas estou a divagar.
O primeiro que li, "The Shining", causou-me um impacto tão grande que cheguei a olhar para os dois lados quando saía da sala onde estava a ler para ver se "a costa estava livre"...:) é este o fascínio dos livros de King, como um poema de Poe, uma atmosfera incrível, uma descrição rápida mas extremamente precisa e concisa...como diz a minha mãe (que eu consegui convencer a ler um livro, e que apesar de traduzido para português, agradou sobremaneira), "ele diz tanto em tão poucas palavras".
Desde aí comecei a ficar um ávido leitor deste grande escritor, e não consigo deixar de me impressionar dia após dia com a qualidade da escrita, a racionalidade das personagens e dos ambientes, e cada vez mais me identifico com algumas das frases que escreve e com algumas das discussões que cria entre os diversos intervenientes...cada observação que absorvo, cada pormenor em que reparo, cada parágrafo que leio me leva a concluir que é de facto um dos homens da minha vida! (sem conotações perversas, por favor, isto são assuntos sérios :P)
Interessante é também a interligação entre algumas das suas obras, como a constante localização das histórias na pequena cidade de Castle Rock, no Maine (fictícia), e a menção de pormenores de outros livros em histórias diferentes (Jack Torrance - The Shining - é mencionado em vários outros livros, bem como Andy Dufresne - Rita Hayworth and the Shawshank Redemption - e o famoso assassínio resolvido por John Smith - The Dead Zone - igualmente na cidade de Castle Rock)! Todo este "mundo" criado à volta das suas personagens, das histórias em que se envolvem, mostrou-me um homem que gosta realmente do que faz (se ler "On Writing" sabe do que estou a falar), e que se envolve pessoalmente nos contos que inventa.
Citando King, sempre que lhe perguntam "Como é que você escreve?", a resposta é invariavelmente: "Uma palavra de cada vez."
E cá estou eu, "Constant Reader" como ele gosta de chamar ao seu público, a apreciar a obra do mestre...
Abaixo, a lista de livros que já li e os que estão já prontinhos na linha de partida...os primeiros estão por ordem de leitura:

Já foram lidos e estão na prateleira:

> "The Shining"
O primeiro, costuma dizer-se, deixa sempre marcas...e este deixou-as profundas...foi o que me levou a ler o resto dos livros que até agora já li, e foi um dos melhores que li até hoje. A história passa-se num hotel no Colorado (na famosa Boulder, uma das terras onde King projecta uma boa parte dos seus livros), onde um homem vai passar o Inverno com a família, tomando conta da casa, mantendo-a em condições para reabrir na Primavera pronto a receber hóspedes. O Overlook Hotel, no entanto, possui alguns segredos que Jack Torrance, Wendy Torrance e o seu filho Danny vão enfrentar. O eterno "REDRUM" e as descrições do hotel e da loucura de Jack tornam este livro uma experiência única, garanto. Stephen King escreveu a história depois de um fim-de-semana passado num hotel que o deixou bastante nervoso, por qualquer razão...e ainda bem! A versão cinematográfica é bastante famosa, da autoria de Stanley Kubrick, com Jack Nicholson e Shelley Duvall, num dos filmes mais aterradores da história do Cinema (na minha opinião), apesar de algo diferente do livro, facto que King não apreciou. Houve já outra versão, desta vez em televisão, mas com um elenco bastante mais fraco (a única pessoa conhecida será talvez Rebecca De Mornay como Wendy), e apenas vale por ser fiel ao conteúdo do livro. A série foi de facto coordenada e produzida pelo próprio Stephen King. É de facto uma das melhores (senão mesmo a melhor) obras do autor, e vale bem a pena...lembrem-se, "all work and no play makes Jack a dull boy..." :)

> "Carrie"
Ora lá está o primeiro livro escrito por Stephen King. Foi Tabitha King, a sua mulher, que salvou o manuscrito quando King o atirou para o lixo. Ela leu-o, gostou, e enviou para a editora, que prontamente lhe propôs a publicação a troco de uma boa quantia de dinheiro...e a fama estava a caminho! O filme, protagonizado por Sissy Spacek como Carrie, Piper Laurie no papel da sua mãe, e com nomes como Nancy Allen e John Travolta em início de carreira, tendo sido realizado por Brian De Palma, foi um sucesso nas bilheteiras e lançou King como um dos principais escritores no mundo inteiro. A história passa-se numa cidade de província, onde uma adolescente, castrada intelectualmente pelos extremismos religiosos da sua mãe, começa a aperceber-se dos seus poderes sobrenaturais através das contínuas humilhações que sofre por parte dos colegas de escola. Todo o livro é uma bela crítica à instituição de família norte-americana, bem como uma cena de intenso gore no final. (se contar, perde a piada para quem não o leu) É intenso, forte e apela à imaginação visual de cada um para tentar recriar nas nossas cabeças as últimas páginas da história. Não é, de longe, a melhor obra de King, mas é óptima para quem pretende começar a conhecer um pouco acerca do autor. Foi igualmente o único livro de King que li na língua de Camões, Pessoa e Pinto da Costa...Português, se ainda não percebeu...:P A capa não é idêntica ao livro que tenho, exactamente por ser uma edição portuguesa...um destes dias digitalizo-a...quando tiver pachorra...

> "The Dead Zone"
Continuando na linha de bons livros, cá temos uma história que deu um excelente filme, apesar de bastante sub-valorizado pela crítica em geral. John Smith (no filme, Christopher Walken) tem um acidente de automóvel que origina um estado de coma, onde permanece durante alguns anos, apenas para acordar e verificar que desenvolveu um género de percepção extra-sensorial, que lhe permite ver para o futuro apenas pelo contacto directo com uma pessoa. É assim que descobre que um certo louco indivíduo, Greg Stillman (no cinema, Martin Sheen) ir-se-á tornar Presidente dos Estados Unidos e destruir o mundo. Passado em Castle Rock, Maine (where else), está muito bem escrito, muito introspectivo mas ao mesmo tempo empolgante, mais um exemplo de um brilhante enredo, com Johnny Smith a induzir carinho e pena no leitor, e quase dá vontade de ajudar o pobre rapaz, que no seu dilema de alterar ou não um possível futuro apocalíptico causa uma grande angústia no leitor. Grande livro, e igualmente um belo começo para quem não tenha lido King.

> "The Dark Half"
A história centra-se no pseudónimo de um famoso escritor. Quando escreve sob o nome de George Stark, os livros são macabros, as histórias violentas e negras, as personagems duras e quase encarnações do mal. O escritor, Thad Beaumont, cansado desta vida dupla, decide "matar" Stark, só que "este" não está de acordo...e, materializando-se, obriga Thad a lutar até à morte pela vida de um deles. Sinceramente, não é o ponto alto da vida literária de King, muito longe disso. É uma história relativamente interessante, mas peca por ser demasiado calmo ao longo da história e por depender igualmente em demasia nos curtos momentos de clara violência. O filme é pouco conhecido (eu próprio nunca o vi), e algum interesse poderá ter o livro se se pensar que poderá ser um pouco auto-biográfico...de lembrar que Stephen King escreve igualmente com um pseudónimo, de nome Richard Bachman, com algumas obras conhecidas, como "The Running Man" ou "Thinner". Não aconselhado a quem nunca leu King, pois poderá ficar com uma ideia que este apenas escreve deste género. E ficaria muito longe da verdade.

> "Skeleton Crew"
O primeiro conjunto de contos que li, contendo algumas verdadeiras pérolas. Eu tinha lido algumas colectâneas de contos, especialmente de terror, como Edgar Allan Poe, Ray Bradbury e outros autores do género. King aqui revela-se um excelente "short-story writer", com os highlights (os melhores contos, pelo menos segundo a minha opinião pessoal, que vale porque já li o livro!) a aparecerem em "The Mist", o maior conto do livro; "The Raft", com grande suspense e uma atmosfera fantástica; "The Reaper's Image", este a fazer lembrar Poe pelo gore da história, com o sombrio da criação de King a vir ao de cima; "The Monkey", igualmente aterrador e não aconselhável a crianças; "The Jaunt", com um final incrível; "Survivor Type", talvez a verdadeira história de Robinson Crusoé; "The Reach", com um ambiente só ao alcance de grandes escritores, e uma história comovente...parece esquisito para quem lê King, mas é a verdade! Vale a pena pelo conjunto, e deu-me fome de ler mais quando terminei.

> "Different Seasons"
Talvez um dos melhores livros de King, onde ele mostra a ecleticidade da sua capacidade criativa. É mais um conjunto de contos, desta feita apenas quatro histórias. Todas elas completamente diferentes. Em estilo, maneira de escrever, personagens, vocabulário, situações, tudo! O livro está dividido, como indica o título, em quatro "estações diferentes". Primavera, Verão, Outono e Inverno. A primeira e mais famosa, "Rita Hayworth and the Shawshank Redemption", associada à Primavera com o epíteto "Hope Springs Eternal", originou aquele que é um dos meus filmes preferidos ("The Shawshank Redemption"), e é uma história de uma fuga de prisão e da relação entre dois amigos que vivem dentro dos muros da prisão de Shawshank. Na segunda história, "Apt Pupil", ligada ao Verão ("Summer of Corruption"), conta a história da relação entre um miúdo muito inteligente e um velho alemão a residir na vizinhança. A terceira história, "The Body", relacionada com o Outono ("Fall From Innocence"), é talvez uma das melhores "coisinhas" alguma vez escrita por King, na minha opinião. É uma história acerca da descoberta de um cadáver no meio de uma floresta por um grupo de rapazes. Para finalizar, "The Breathing Method", que tem uma ligação com o Inverno ("A Winter's Tale"), uma história que talvez se encontrasse mais bem colocada em "Skeleton Crew", que conta a história de um nascimento em circunstâncias estranhas. Concluindo, é um livro muito bom, impecável para quem pretender começar a ler King. Todo o livro está magistralmente bem escrito, e é realmente uma mostra evidente da maneira como o génio de King funciona, e um exemplo claro que King não é o autor "tipificado" de terror que chegou a ser considerado nos primeiros anos de edição.

> "On Writing"
On Writing é um dos trabalhos de King que só deve ser lido depois de se ter já passado por uma boa parte do reportório do escritor. Uma auto-biografia completa, juntamente com dicas para aspirantes a escritores. O estilo é o mesmo a que King já nos habituou nos diversos prefácios e notas de esclarecimento, mas tem uma componente pessoal muito forte. Acabou de o escrever depois do acidente que o vitimou e que quase lhe roubava a vida. Neste livro, o escritor explica tudo o que aconteceu, como aconteceu, o que lhe fizeram durante as operações a que foi sujeito, tudo com uma vivacidade que nos coloca quase no local. As dicas para aspirantes a escritores não são demasiadamente teóricas, e conseguimos ver perfeitamente que King sabe perfeitamente do que sabe, é um homem extremamente culto e aprendemos que King lê muito mais do que escreve...excelentes as histórias da sua infância e dos tempos passados com o seu irmão na brincadeira enquanto crianças. Em suma, uma verdadeira história viva de um dos grandes escritores americanos da segunda metade do séc. XX, e um prémio para os fãs hard-core de King, que podem tirar do livro ligações interessantes com o livros que ja leram.

> "Firestarter"
Já muito se falou de experiências realizadas durante os anos 60 nos Estados Unidos, aproveitando a loucura dos anos do "Free Love", Beatles e LSD. Imaginem que um casal se conhece no decorrer de uma dessas experiências, e que através dessa relação têm uma filha, Charlie, que possui poderes especiais causados pela experiência a que os pais se submeteram. É esta a história deste livro, uma história da fuga de pai e filha pelo país, tentando escapar aos agentes governamentais que os pretendem prender e examinar melhor a miúda sardenta e de rabo-de-cavalo, Charlie. Um bom livro, com algumas cenas bastante fortes e fáceis de imaginar sem grande esforço, com uma componente visual muito forte. Charlie, uma "firestarter" como o próprio título indica, tem o poder de atear fogo onde quiser, da maneira que quiser. O problema está em controlar o poder da rapariga, que por ser bastante nova, não o tem ainda dentro dos seus limites. Lembro-me que li o livro quase todo durante umas férias que passei em Agosto de 2001, em casa, na praia, em todo o lado...não conseguia parar de ler por ânsia de saber o que raio iria acontecer à pobre Charlie. O filme tem como protagonista principal Drew Barrymore no papel da própria Charlie. Não posso comentar dado nunca o ter visto...por outro lado, o livro é bastante bom e merece recomendação elevada.

> "Cujo"
Cujo é um cão, grande e peludo, que gosta de correr pelos campos atrás de coelhos, enroscar junto do dono e defender a sua família contra intrusos. Um dia, numa perseguição a um coelhito que se enfiou por uma pequena abertura que dava para uma gruta, Cujo fica preso na entrada e é ferrado por alguns morcegos que vivem lá dentro. O dócil animal fica contagiado com raiva, e torna-se violento para as pessoas que o rodeiam. É esta, basicamente, a história, e é a partir dela que King desenvolve um enredo simples mas de grande intensidade, especialmente as grandes secções dedicadas ao "cerco" que Cujo faz a uma mãe e ao seu filho que estão dentro de um carro que não pega. É forte, vivo, e cheio de cenas bastante emocionantes, sendo particularmente interessantes as partes em que King se coloca no lugar do próprio cão, tentando agir como tal, provocando assim no leitor uma sensação de compreensão em relação aos problemas do pobre animal. O livro parece perfeito para mim, particularmente se tivermos em conta o meu medo quase patológico de cães...ao longe são giros, quando estão perto de mim e com a boca/garras/dentes/patas a aproximarem-se de zonas fulcrais...entro em parafuso...mas voltando ao livro, bastante bom, melhor do que seria de esperar dada a simplicidade do enredo.

> "Misery"
E chegamos a uma das obras-primas de King, assim considerada não só por mim como igualmente por toda a crítica a nível mundial. É igualmente uma das conversões mais populares para o écran de cinema, com James Caan no papel de Paul Sheldon e Kathy Bates como Annie Wilkes, papel pelo qual recebeu o Óscar de Melhor Actriz em 1990. A história, que se pensa ser um pouco auto-biográfica (talvez pelo receio de King em ser a vítima que Paul Sheldon representa), baseia-se no salvamento de um famoso escritor por uma enfermeira que vive numa zona isolada, após um acidente de viação. Ora a enfermeira é a fã número um do escritor, e tenta "convencê-lo" a continuar a saga da Misery Chastain, a principal heroína dos livros de Paul Sheldon, e que foi recentemente "morta" no último livro dele. É um verdadeiro monumento ao suspense, contendo cenas de provocar vontade de roer unhas, com uma caracterização inacreditável do fanatismo a que alguns fãs podem chegar. Se o filme foi muito bom, o livro é melhor! Algumas cenas do livro não foram incluídas na versão de cinema porque foram consideradas chocantes. Não as menciono aqui, exactamente porque devem lê-lo para ver as diferenças...acreditem, vale a pena! É de facto um dos melhores livros de King, e merece figurar na galeria de melhores livros do género de todos os tempos.

> "The Stand"  (versão de 1990, complete & uncut)
Pode ganhar vários títulos e bater vários recordes na minha já-lida colecção de King: Maior número de personagens; história mais longa (na edição completa de 1990, o livro contém 1141 páginas!!!); enredo mais envolvente e complexo. É, sem dúvida, um livro do qual não se pode falar a não ser com pessoas que o tenham lido. Acabei de o ler e já tinha saudades do Stu e da Fran, continuava a lembrar-me do Nick e do Larry, do Glen e do Ralph...de todos! Uma história apocalíptica, em que 99.4% da população mundial (ou pelo menos Norte-Americana) foi dizimada por uma praga feita pelo homem, com sintomas parecidos com os da gripe. Após este desterro, os poucos sobreviventes começam a agregar-se em dois grupos, o Bem e o Mal (que se vão defrontar num último combate, o verdadeiro Armagedão travado pela raça humana) cada um dos quais liderado por duas personagens antagónicas: o grupo que se junta em Boulder, Colorado, o grupo do Bem, com a Mother Abigail à sua frente, uma velha negra de 108 anos, que se diz profeta directamente ligada a Deus; do outro lado, o grupo do Mal, reunido em Las Vegas, Nevada, por sua vez liderado por Randall Flagg, a encarnação do Diabo (ou apenas um enviado, fica à consideração do leitor). Incrível é o facto de, especialmente neste livro, encontrarmos muitos aspectos nos "maus" que gostamos, e diversas particularidades nos "bons" que não suportamos. The Stand é de facto o livro mais envolvente, que dá vontade de ler mais, apesar da enorme quantidade de capítulos nele contidos. Na minha opinião, é a par de Misery e de The Shining, é o melhor livro de King.

> "Rose Madder"
Depois de acabar o The Stand não era fácil começar outro livro com o mesmo entusiasmo com que tinha acabado o anterior...mas mesmo assim tentei. E não posso dizer que tenha sequer um paralelo possível com o dito...mas falando do livro propriamente dito, trata da história de uma mulher que decide fugir da vida que tinha com o marido que abusava dela. Rose, depois de já ter abortado pelos maus tratos do dedicado esposo, põe-se ao fresco para uma daquelas cidadezinhas americanas de província a tentar escapulir ao marido que para além de maluco (completamente), era detective da polícia, ou seja, habituado a descobrir pessoas. Ele acaba por descobri-la depois de algum tempo e King dá largas à criatividade descritiva com as cenas de brutalidade do Norman (marido) que mata e espanca e viola e agride tudo o que lhe aparece à frente, com a gana que o tipo tem em fazer a mulher pagar pelo que lhe fez. Em suma, um livro engraçado mas definitivamente não do topo da lista, sendo de salientar um final estranhamente místico, com templos gregos e ninfas benevolentes à mistura...giro, mas há muito melhor deste menino...

> "Four Past Midnight"
Mais uma compilação. Depois do "Different Seasons" não esperava nada que pudesse bater aquele delicioso conjunto de histórias, e de facto não encontrei. No entanto, nada de deitar fora! O livro começa com aquela que é para mim a melhor das 4 histórias, "The Langoliers". Aterradora, uma história de pura ficção científica, do melhor que King já escreveu. Uma viagem de avião com worm-holes à mistura, um universo paralelo e sem ninguém a não ser as pessoas que viajavam no próprio avião e um ambiente de terror que é simplesmente genial! A segunda história, "Secret Window, Secret Garden", traz-nos a personagem de John Shooter que acusa um escritor de nome Morton Rainey de lhe ter roubado a sua história, e que a queria de volta senão...o costume! Ora Morton não roubou a história a ninguém e vai-se ver lixado para se ver livre deste Sulista fanático. Um sabor a "The Dark Half" que torna a história num enredo negro e pesado, mas bem escrito apesar de um pouco previsível no fim. Depois vem "The Library Policeman", onde Sam Peebles se esquece de devolver o seu livro na biblioteca...o que leva a ser perseguido por um dos seus piores pesadelos de criança, o monstruoso "Library Policeman" (Polícia da Biblioteca...em português não se aplica lá muito...). Mais uma história com enredo pesado e negro (mesmo past midnight...muito past midnight), tendo no entanto um final demasiadamente moralista...mas King é assim, gosta sempre de mostrar a sua veia de carácter social! No final, "The Sun Dog", no regresso a Castle Rock (antes tinha lido o "The Dead Zone" e o "The Dark Half" e depois li o "Needful Things" e percebi a ligação, já que são todos passados na mesma cidade) e com a história de uma máquina fotográfica que parece estar avariada...mas talvez não esteja...um toque de "Tales from the Crypt" nesta história, tal como na última do "Different Seasons" (caso não se lembrem, "The Breathing Method"), ou seja: curta e óptima para adaptação a minisérie de terror, com um final engraçado e uma leitura agradável...mas que prende!!! Em suma, não é "Different Seasons", mas sabe sempre bem ler short-stories de SK...;)

> "Thinner"
Ora cá está o primeiro livro que li de King escrito sob o pseudónimo, Richard Bachman. E gostei muito. É um livro mais pró pequenito quando comparado com outros que já li dele, mas mesmo assim não se qualifica como "panfleto". A história é muito porreira, senão reparem: um homem atropela uma velhota cigana quando a mulher se lembra de lhe fazer o que é conhecido como "hand-job" (não, não vou traduzir) enquanto o marido conduz. O filho da velha roga uma praga ao marido nas escadas do tribunal (o homem era advogado e conseguiu-se safar por ter um amigo juíz), dizendo-lhe "Thinner" e passando-lhe a mão pela cara...a partir daí, o balofo do homem começa a emagrecer a olhos vistos até se tornar mesmo um magricelas que parecia morrer de fome...até que decide ir procurar o cigano para ele inverter a praga...o livro está muito bem escrito, é rápido e não pára para pormenores desnecessários. O final então é, no mínimo, uma lição de moral muito bem apanhada...

> "Needful Things"
Este é um dos bons. Sem dúvida. O último passado na mítica Castle Rock, Maine, reúne personagens muito bem delineadas, uma história cativante e inevitáveis referências a outras pessoas que figuram noutros livros do autor, com a nostalgia do momento a apoderar-se do leitor. Passando ao livro, há um novo habitante em Castle Rock. O Sr. Leland Gaunt toma conta de um espaço comercial ao qual dá o nome de Needful Things, um sítio onde as pessoas descobrem o que realmente desejam, sejam fotos autografadas pelo Elvis, cromos raros de baseball, vasos de porcelana antiga, you name it! Só que não sabem é que por trás destes items há um preço monetário...e outro não tão material...é King no seu melhor, com um início lento de introdução das personagens e da interacção entre elas e o novo habitante, até que a partir do meio do livro os eventos começam a suceder-se a uma velocidade incrível, com uma enormidade de linhas condutoras da história todas a ligar ao mesmo indivíduo e a espalharem-se pelos habitantes da cidade, enquanto estes se apercebem lentamente do que se está a passar. Muito bom, e as quase 800 páginas do livro passam rapidamente pela envolvência que a história provoca. Excelente!

> "It"




( Ainda estou a ler ... )







Seguir-se-ão, já comprados e na fila de espera:


> "Desperation"
> "The Girl who loved Tom Gordon"





voltar para a página principal...